Emicida é arrogante com jornalista em debate sobre machismo


O famoso rapper Emicida causou polêmica ao falar sobre o machismo presente em algumas de suas músicas em um debate com algumas jornalistas. Em um momento de entrevista ele havia perguntado se uma delas ia "chorar" com sua resposta arrogante. Confira o relato na íntegra:

A Thalita me mandou mensagem durante o debate, enquanto o Emicida falava sobre "protagonismo feminino". Como eu era alguém mais inserida no assunto, ela me pediu pra que eu tentasse colar na CC pra perguntar, sobre letras machistas que ele compôs e ainda canta, no momento das perguntas. 

Não, eu não consegui ver o debate, estava trabalhando e não podia deixar o stand sozinho. Falei com a minha companheira de trabalho se podia sair por 10 minutinhos, e saí... Cheguei no final, já tinham encerrado as perguntas.
Esperei todos os fãs e admiradores tirarem fotos e cumprimenta-lo.
Minha vez, ele estava na correria, disse que era muito rápido:
ps: Não foi autorizado gravações, uma das testemunhas iria gravar, mas a produtora disse que não podia.

"- Emicida, meu nome é Nathalia, e recentemente uma amiga questionou suas letras por ter conotações de diminuição da mulher..."
Ele me interrompe, e diz:
"- Não, acho que sei quem é... mas ela só comentou da música "Mãe", e não falou qual música era machista"...

ps: Fiz uma transmissão ao vivo também, explicando o porquê das escolhas dessas duas músicas: "Trepadeira", e "Mãe" como tema principal da minha pergunta, sobre estereótipos femininos que essas duas músicas relativizam e perpetuam no viés partriarcal.

Não consegui falar sobre a problematização da música "Mãe".
O debate foi extenso, eu não vou lembrar de tudo... talvez a minha amiga consiga concluir melhor, e mudo esse texto se necessário.
Ele me disse que meu discurso era intolerante e parcial, que a minha verdade não poderia ser pra todas as mulheres: "As mulheres que não vêem minha músicas como machistas, eu vou ficar do lado delas, não do seu...", "Você fala por todas as mulheres?"

ps: Eu respondi que como uma mulher educada politicamente e admitindo esse privilégio, poderia afirmar sim, que existia machismo em suas letras!
Riu, satirizou meu posicionam

ento, minhas palavras, desconstextualizava o que eu falava.
Admitiu que perguntou pra essa mesma amiga minha: "vai chorar?"...
ps: ao invés de consola-la, ou tentar amenizar a situação.
Disse que: "Trepadeira é uma planta". 

ps: Quando apontei qual música tinha conotação pejorativa á mulher.
E quando a minha amiga riu, pois ele afirmava como argumentação, ele levantou a mão em direção ao rosto dela, apontando, e ela respondeu com razão: "- Tira a mão da minha cara!"

Ele responde: "Se tá vendo porque eu não entro nessas discussões? Vocês são muito intolerantes!"

Enfim... não acatou o papel de desconstrução necessária, mesmo não estando no meu papel de mulher, ou seja... SILENCIAMENTO E APAGAMENTO DE PROTAGONISMO.

Eu, Nathalia, questionei o Emicida por ter nascido e crescido na subcultura do Hip-Hop, e era, "É", e foi importante pra mim, ouvir da própria boca dele.
Não era pra show, não era pra tirar ninguém, diminuir o protagonismo e ativismo do cara (que vocês tanto querem endeusar), é sobre mim, sobre mulheres, meninas. Eu questionei algo que afeta a mim, a nós. Meu papel é cobrar não só ele, mas todo pessoa pública que tenha esse grau de "famosidade" sobre problemáticas como essa, e principalmente na base. 

Alguém que toma frente de algo, que carrega uma massa de pessoas, deveria se colocar melhor em momentos de questionamentos. Principalmente de uma mulher, uma mãe, uma periférica. Alguém que diz sobre união e empoderamento da massa, mas não respeitou uma mulher se quer num diálogo.
Foi foda? foi. Pior ainda é se vocês estivessem no meu lugar com uma par de marmanjo rindo da minha cara e me tirando, porque teve.
O sentimento é de solidão, que você é invisível e sua luta também... Que você não tem voz, e tudo isso é exagero. 

Eu senti aquele "vai chorar?", eu quis... assim como a minha amiga.
Meu choro não é de dor não, é desespero mesmo... ver alguém da cena subversiva perpetuando discurso de objetificação da mulher é foda, pior ainda é não admitir.-
Relato de Nathalia Leal. 

About Ridval R. Ferreira

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