Clipes históricos (4ª Edição): Lady Gaga- "Judas"

Mais uma edição de nossa super coluna sobre os maiores vídeos da música pop, e mais uma vez apresentamos um vídeo de Lady Gaga. Desta vez tivemos duas razões especiais ao escolhermos mais um vídeo da eterna mother monster:

  • Aniversário da Gaga (dia 28 de Março, Sábado);
  • Quaresma, semana santa (entrando na polêmica temática do vídeo);

Confira o Review com os detalhes do vídeo:

O vídeo clipe de "Judas" foi filmado nos dias 2 e 3 de abril de 2011 sob a direção de Gaga ao lado de sua coreógrafa e diretora criativa Laurieann Gibson. No segundo dia de filmagens, a artista publicou a seguinte mensagem em seu Twitter: "Dirigir o vídeo de 'Judas' com minha irmã @bookmack é o momento artístico mais animador da minha carreira. É o melhor trabalho que já fizemos. Segundo dia". Sua estilista e Nicolla Formichetti, diretor criativo de Thierry Mugler, anunciaram em 4 de abril seguinte que as filmagens haviam sido concluídas. Em entrevista para a MTV News, Gibson explicou a ideia por trás do trabalho:

“ Vou lhe dizer agora, primeiramente, eu sou cristã, e minha carreira é uma evidência de Deus na minha vida, e acho que a maioria das pessoas já estão pensando em Gaga e a blasfêmia, e estão premeditando a abordagem, e acho que elas vão ficar muito chocadas ao descobrir quão grande e realmente inovado esta mensagem é e como libertar a mensagem é para todas as razões corretas. E isso vai realmente chocar o mundo. ” O elenco do vídeo incluiu Norman Reedus interpretando Judas Iscariotes, enquanto Gaga interpretou Maria Madalena. Gibson e a intérprete queriam ter certeza de que o vídeo musical teria uma direção perfeita e, como resultado, decidiram dirigi-lo por conta própria. A coreógrafa explicou que, enquanto estava trabalhando com Nick Knight na gravação audiovisual de "Born This Way", ela e a cantora sentiram que as ideias apresentadas não foram executadas da maneira que queriam; contudo, com o vídeo de "Judas", toda a ideia e a inspiração estiveram claras o suficiente. Inicialmente, elas haviam contatado um diretor, mas tiveram que desistir da parceria com este diretor devido a conflitos de agenda. Posteriormente, o empresário de Gaga pediu que ela e Gibson dirigissem o vídeo por conta própria.

Gibson disse que "levou um tempo" antes de concordar, pois havia terminado os trabalhos no especial da The Monster Ball Tour (2009-11) transmitido pela HBO, mas não conseguiu resistir. Ela adicionou: "É um vídeo fenomenal: realmente poderoso, realmente impactante. Ela [Gaga] é uma artista muito forte e comprometida. Sua fidelidade comigo é algo pelo qual eu sempre serei grata. Nós somos espiritualmente conectadas. Nós precisamos uma da outra (...) e 'Judas' é, em última análise, uma representação de nosso vínculo verdadeiro". Em entrevista para o The Hollywood Reporter, a profissional explicou que ela e Gaga haviam criado uma nova Jerusalém dentro do projeto. O valor chocante do vídeo foi intencionalmente adicional, mas a história da gravação era sobre opressão e sobre seguir o coração de alguém e a glória de estar livre. Em entrevista com a NME, a cantora revelou que o vídeo envolvia motocicletas e uma sequência de morte. Ela também descreveu a retratação de sua personagem como estar "além do arrependimento", que envolvia contínuas acusações da mídia sobre ela ser "inútil. Ou pretenciosa, ou isso, ou aquilo. [O vídeo] é meu jeito de dizer: 'Eu atravessei a linha, eu não irei sequer tentar me arrepender. Eu não deveria'". O perdão e o destino também foram desempenhados no vídeo, e Gaga quis retratar uma história de Federico Fellini com apóstolos sendo revolucionários em uma Jerusalém dos dias modernos, na qual eles são levados a Jesus por Madalena, interpretada pela artista. Embora tenha sido inicialmente planejado para estrear em episódio da décima temporada de American Idol, o clipe estreou em 5 de maio de 2011 no E! News.

Enredo


O vídeo se inicia com uma gangue de motoqueiros indo em direção à uma rodovia, vestindo jaquetas de ouro com pregos. A gangue é composta pelos Doze Apóstolos que seguiam Jesus, incluindo Judas. Caracterizada como Maria Madalena, Gaga se agarra a uma figura de Jesus (Rick Gonzalez), que usa uma coroa dourada de espinhos. Entre os motoqueiros está Judas (Norman Reedus), que ultrapassa a moto de Gaga ao passo em que ela olha significativamente para ele. A gangue passa por um viaduto, e a canção começa a tocar.


O grupo chega ao seu esconderijo rústico chamado "Electric Chapel", onde a cantora dança vestindo uma canga vermelha e um biquíni da mesma cor, com cruzes cobrindo seus seios. Sua personagem observa curiosamente Judas entrar de moto no local, e imediatamente se envolve em uma briga. Enquanto tenta proteger Jesus das brigas, ela tenta avisar Jesus sobre a traição iminente de seu apóstolo, mas se hipnotiza pela sedução de Judas. A trama é intercalada com sequências de dança e imagens da face de Gaga com forte imagem, incluindo uma maquiagem artística no olho, que foi comparado ao Olho de Hórus.

O cabelo fluido da intérprete é coberto por uma bandana vermelha, e ela usa um top de couro azul e um vestido branco em diferentes partes do vídeo. O top azul usado por Gaga apresenta o "Sagrado Coração", uma representação do que Jesus teria revelado como um símbolo de seu amor pela humanidade. Na segunda estrofe, a artista dirige-se à Pedro durante a linha "Construir uma casa" e volta para onde estava durante "Ou afundar um cadáver".


Após o segundo refrão, em uma sequência climática, a cantora segura uma arma em direção à boca de Judas, e um batom vermelho sai da arma e se espalha em seus lábios. A cena retrata a escolha de Gaga para perdoar Judas através do coração. Conforme o breakdown acaba, a canção para e a artista é vista em uma banheira com Jesus e Judas, lavando os pés de ambos e limpando-os com seus cabelos.

sequência é intercalada com Gaga sendo vista sozinha em uma pedra ao passo em que as ondas a engolem — cuja cena é reminiscente à pintura O Nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli— e Jesus marchando em direção ao seu destino fatal. A música se reinicia e Judas é visto derramando cerveja na banheira. Em seguida, Jesus está em um palco, rodeado por seus adeptos; o palco é inspirado por andaimes, que estão presentes ao redor de edifícios construídos em Nova Iorque.

Gaga se ajoelha na frente de Jesus e tenta lhe explicar algo, mas ele coloca sua palma na cabeça da intérprete ao paço em que Judas observa. Judas beija fatidicamente as bochechas de Jesus, marcando-o por sua morte, enquanto Gaga cai no chão com um choro silencioso e angustioso. O vídeo não termina com a morte de Judas ou Jesus, mas a de Gaga, ao passo em que ela é apedrejada pela multidão até a morte.

Polêmica e Recepção


Antes do lançamento do vídeo musical, o presidente da Liga Católica William Anthony Donohue criticou-o pela retratação de Gaga como Maria Madalena. Em entrevista para o Hollywood Life, na qual falou sobre o foco da artista em Judas e Maria Madalena, Donohue disse que a cantora estava "cada vez mais irrelevante" comparado com pessoas com "talento verdadeiro", e atacou-a por ter aparentemente lançado a canção e o vídeo perto da Semana Santa e da Páscoa de forma proposital. Para o E!, a intérprete disse que não queria causar controvérsias com a gravação audiovisual, adicionando em tom de brincadeira: "A única coisa controversa sobre esse vídeo é que eu estou usando Christian Lacroix e Chanel na mesma cena. Esse vídeo não pretende ser um ataque à religião [católica]. Eu respeito e amo as crenças de cada um. Sou uma pessoa religiosa e espiritual que é obcecada com a arte religiosa. Sou obcecada com isso". Após o lançamento do trabalho, a Liga Católica lançou o seguinte comunicado:

“ Em seu vídeo 'Judas', Lady Gaga brinca de forma rápida e solta com a iconografia Católica, e geral diversas declarações inconvenientes, mas ela dança tipicamente na linha sem se deixar abater. A falsa cena batismal é uma inclusão curiosa, já que é seu aparente carinho pelo personagem Jesus. Mas se todos pensam que a Liga Católica irá para os balísticos da última contribuição de Lady Gaga, eles não têm ideia sobre o que realmente constitui o anti-Catolicismo.

O vídeo é uma bagunça, incoerente, que deixa o visualizador mais perplexo do que comovente.50 ” Jason Lipshutz, da Billboard, descreveu o vídeo como um "caos [no qual] motocicletas encontram a traição bíblica". James Montgomery, da MTV News, disse que o trabalho era um vídeo puramente pop, "embora pareça ótimo e causará ira de algumas pessoas [que são a favor] dos direitos religiosos". O profissional acrescentou que "Judas" é, em sua essência sagrada, uma explosão artística contida dentro dos limites de um vídeo pop tradicional.

 Christian Blauvelt, da Entertainment Weekly, inicialmente não gostou do projeto, chamando-o do trabalho mais fraco de Gaga até então e atribuindo isto à coreografia de Gibson e o enredo literário. Entretanto, ele admitiu que apaixonou-se pela gravação depois de assisti-la algumas vezes. Tris McCall, do The Star-Ledger, sentiu que não havia nada de blasfemo no projeto, e nada que fosse desafiador. McCall explicou que a dança era um "prazer de se assistir", mas que teria sido melhor se a câmera fosse mais profissional. De acordo com ele, o único adereço atraente no vídeo era a arma que se transforma em batom.

 Matthew Perpetua, da Rolling Stone, estava certo de que o vídeo poderia ofender alguns cristãos por sua tomada irreverente e altamente sexuada de Jesus Cristo; ele também disse que Gaga interpretou a história bíblica em seu próprio estilo. Oscar Moralde, da Slant Magazine, elogiou a produção do vídeo, definindo-o como "visualmente deslumbrante" e acrescentando: "'Judas é um trabalho de repertório, não revolução. Contém amostras familiares da paleta de Gaga (o couro estético-e-acorrentado de 'Telephone', o estilo de câmera melancólico e manchado de lágrimas de 'Bad Romance') e elas se juntam em um trabalho competentemente executado".

Escrevendo para o The Washington Post, Phil Fox Rose analisou o projeto de forma positiva, declarando que achou-o "comovente, tanto artisticamente quando espiritualmente". Ele explicou que as acusações religiosas contra Gaga eram completamente tendenciosas. O canal VH1 opinou que a gravação audiovisual foi inspirada por "Like a Prayer", de Madonna, os filmes Our Lady of the Assassins, The Wild Angels e Romeo + Juliet, bem como pela série televisiva Lost.

 A revista NME nomeou o vídeo como o quarto pior de todos os tempos, descrevendo-o como "uma tentativa de saltar o movimento Madonna/Catolicismo de forma incrivelmente mal interpretada que é bastante cômica". A produção venceu a categoria de Best International Artist Video nos MuchMusic Video Awards de 2011, e foi indicada nas categorias de Best Choreography e Best Art Direction nos MTV Video Music Awards de 2011, perdendo respectivamente para "Run the World (Girls)", de Beyoncé, e "Rolling in the Deep", de Adele.

Coluna por Ridval R Fereira.

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